Oi gente, gosto de postar sempre coisas que nos coloquem pra cima, que nos ajudem a lidar com esse problema de forma mais leve, mas ás vezes precisamos partilhar sentimentos que são comuns às pessoas com depressão.
Segue a Carta de um Deprimido Anônimo
Queria começar essa carta contando como estou feliz e como a minha vida é linda, porém estaria mentindo, pois minha vida é um suplício e sofro de uma infelicidade que parece ser infinita. É um sentimento de impotência tão grande que chego a passar dias em cima da cama, quarto escuro por causa da alta sensibilidade a luz (acho que vampiros são deprimidos rs) olhando pro teto como quem espera um milagre, sinceramente nem sei se acredito mais em algum milagre. Meus dias são negros e minhas noites longas, pois às vezes os remédios me fazem dormir durante o dia e a noite fico acordado, pensando em desgraças, loucuras, fugir, morrer. Talvez esse seja o pensamento mais constante na vida de um deprimido: Queria morrer. Graças a Deus meus pensamentos suicidas só me levaram a tomar uma cartela de remédio de uma vez, e pegar uma faca, uma tesoura e na hora de cortar o pescoço ou a barriga, acredito que Deus me impediu. Posso não acreditar em quase nada, mas ainda sinto Deus e rezo todas as noites, pedindo a minha liberdade dessa prisão. Tudo piora quando você tem uma família para cuidar: esposa, filhos... Você tem a consciência racional que precisa cuidar deles, porém você não tem ânimo, nem coragem para absolutamente nada, nem de tomar banho. Ás vezes passo dias sem cuidar da minha aparência, sem me importar comigo. Outros, me sinto um inválido, um demente, uma pessoa sem valor, que dá trabalho aos outros, quero fugir. Mas, pra onde eu for essa doença irá me acompanhar. Ela está dentro da minha cabeça, acredito que desde pequeno, mas que de uns 5 anos pra cá se agravou de leve a moderada com pensamentos suicidas, autodepreciativos.
Sinceramente ando meio cansado de tomar remédios que só quem toma sabe como é: sonolência ou demência o dia inteiro, falta de equilíbrio, taquicardia, diarreias, vômitos, sensação de inchaço no corpo, um cansaço físico como se tivesse corrido uma maratona, fotossemssibilidade enorme a luz, incomodo auditivo. Infelizmente precisamos deles, sozinhos não conseguiríamos nem falar eu acho. Fora os sintomas antissociais onde você não quer ver nem você mesmo no espelho, quanto mais outras pessoas, passear, sair de casa, do seu quarto. Remédios...E hajam drogas, cada uma com seus benefícios e reações. A maioria das vezes nem sonhar eu consigo, ou seja, vivo num pesadelo eterno. Confesso que quando vou ao Psiquiatra (coisa que não estou indo muito) e tomo um novo remédio, chego a melhorar, a ter mais paciência, a sair de casa interagir com a família, amigos a voltar à vida, ter planos, saber o que está acontecendo, me sentir normal. Mas quem sofre de depressão sabe que o melhor remédio é a paciência do companheiro(a), da família, dos amigos. Sou chamado de louco, preguiçoso, escorado, entre outros adjetivos. Chorar... Ah! Perdi a conta de quantas vezes já chorei até sem lágrimas, principalmente quando uma situação que é ruim para a maioria das pessoas, para nós deprimidos é insuportável, como perder um ente querido, ou passar por um problema financeiro. As pessoas não entendem que você não pediu uma depressão pra sua vida, que você é mais sensível ao barulho, aos problemas que as pessoas normais. Que quando você diz: Não estou bem, respeitem é dolorido até falar do que você está sentindo. Só um Psiquiatra te entende e não te julga como as outras pessoas.
Já perdi coisas muito importantes, datas, comemorações, empregos, convívio com meus filhos e isso nunca mais voltará... E meu relacionamento não sei dizer o que ela sinceramente sente: pena, comoção, medo de abandonar uma pessoa doente e as pessoas falarem... Não sei...Tenho uma mãe que chora com a minha dor... quase todos os dias. Que me leva alimento no quarto, que fica quietinha sentada perto de mim assistindo tv, sem falar nada.Acho que pensar nela, de como ela precisa de mim, ainda me faz tentar reagir. Meu pensamento atual é fugir e já avisei a minha família que não se assustem se um dia eu sair com a roupa do corpo pelo mundo a fora, achando que se eu for embora e ficar só ficarei curado. Tento todos os dias não alimentar "meus fantasmas", mas de uma forma um ou outra eles sempre aparecem.
Espero poder um dia não muito longe, poder escrever uma nova carta dizendo: Estou bem, a vida é maravilhosa a depressão foi embora para sempre...
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